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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

“África e novos actores globais” em discussão

O continente africano tem de criar uma estratégia para lidar com os países emergentes. A ideia esteve esta terça-feira em debate, em Maputo, numa conferência económica que juntou académicos e outros oradores. Um encontro ao qual não faltaram também os formandos do curso de Jornalismo Económico e Financeiro.

Para assegurar que as economias sejam sustentadas pela procura interna, os países africanos têm de fazer reformas económicas e financeiras, defendeu o professor universitário português Fernando Cardoso. “A exportação é uma janela de desenvolvimento, mas é preciso olhar para o consumo interno”, afirmou o ex-director da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane.

Para garantirem a soberania de Estado, os países africanos também têm de ser capazes de produzir “a sua própria comida e vestuário”, afirmou também Fernando Cardoso. O académico Fernando Cardoso defendeu ainda a revisão dos contratos com os mega-projectos e a eliminação das zonas económicas especiais.


Organizada pela empresa Ceta e pelo jornal “O País Económico”, a conferência económica “África e novos actores globais” juntou ainda na capital moçambicana o sub-secretário geral da ONU, Carlos Lopes, o embaixador português António Monteiro, o professor brasileiro Georges Landau e a directora do Instituto Sul-Africano dos Assuntos Internacioanais, Elizabeth Sidiropoulus.

Arranque em Maputo

Já começou na capital moçambicana o programa de formação “Jornalismo Económico e Financeiro – Rádio, TV e Online”. Durante as próximas três semanas, dez jornalistas moçambicanos vão poder aprofundar conhecimentos sobre como desenvolver temas financeiros e económicos e sobre os formatos mais adequados.

Do programa fazem parte temas como África e o sector financeiro, mecanismos e instrumentos de microfinanças e instrumentos financeiros em geral. Serão também abordadas questões como a dramaturgia das reportagens e dos formatos jornalísticos, técnicas de investigação e pesquisa, as fontes de informação e técnicas de entrevista.

Além da planificação da dramaturgia numa produção audiovisual e de aspectos mais técnicos como a edição e tratamento de som e o software, os formandos aprenderão ainda a escrever para a internet, a saber combinar vários elementos multimédia e a criar um blog.

Durante toda a semana os participantes irão realizar diversos exercícios, trabalhos práticos e reportagens de campo. Um dos objectivos é desenvolver formatos de emissão apropriados e inovadores para o jornalismo económico-financeiro.

O curso é organizado pela TRANSTEC em colaboração com a Deutsche Welle-Akademie, no âmbito do Programa-Quadro UE-ACP sobre microfinanças, e conta com participantes da Rádio Moçambique, Rádio Encontro, Nova Rádio Paz e TV Record Moçambique.
Vídeo da primeira reunião de redacção: